ViolãoBrasil na Argentina

Céu de Buenos Aires

          Cinco meses se passaram desde a Alemanha e mais uma vez éramos quatro violonistas confinados juntos num país estrangeiro. Desta vez, contudo, era mais que isso. Não apenas quatro músicos porém um grupo. Um grupo com personalidade, identidade, boas histórias e muita brasilidade em sua maneira de fazer música. A viagem desta vez era mais curta, Argentina, porém a sensação de que a bagagem viera mais pesada era inevitável depois de algum tempo. Tínhamos um festival pela frente e dois concertos por fazer. Os compromissos se sobrepunham a ânsia de conhecer lugares, visitar e desfrutar. Uma tensão gostosa de ansiedade tomava conta do grupo e dava energia de degustar intensamente de cada uma dessas experiências.  O que tornara tudo perfeito, pois vivenciamos momentos incríveis, conhecemos pessoas excepcionais e engordamos bruscamente nossas bagagens de conhecimento, música, emoções e, especialmente, amizades!

        Peço licença aos meus caros leitores pra deixar as prazerosas anedotas para regar momentos de lazer em que possamos nos sentar e contar, sem pressas, as aventuras vivenciadas em terras portenhas, e há de se dizer, não foram poucas! E com vossa permissão tentarei me ater especialmente no aspecto musical de nossa estadia na Argentina.

1º Festival Internacional de Guitarra de Santa Maria de lós Buenos Aires

Quinta feira, 3 de outubro de 2013, começava o festival.

 Juan José Francione por Andrea ZavaroniNa abertura na Igreja de Santo Ignácio pudemos contemplar o jovem violonista Juan José Francione, Argentino. Apesar da aparente pouca idade mostrou maturidade na qualidade de som, na escolha de repertório. Uma bela iniciativa dos organizadores darem espaço para jovens talentos. Este concerto nos provou quão louvável pode ser esta abertura.

Em seguida contemplamos o brasileiro Humberto Amorim, peço novamente licença para esbanjar patriotismo aqui. Não há nada melhor que estar em um festival internacional e poder ouvir, na abertura, um brasileiro representando em alto nível nossa musicalidade.

Humberto Amorim por Andrea ZavaroniNeste concerto a escolha do repertório no contexto do ambiente foi perfeita e trouxe uma atmosfera contemplativa e sublime. Levou, certamente, o público a abstrair-se dos ruídos das ruas Argentinas e entrar num transe em que até o silêncio se fazia ouvir com delicadeza e paz. Humberto, trouxera peças aparentemente simples de compositores brasileiros. Contudo sua musicalidade e expressividade era tamanha que ficava evidente que tratavam-se de músicas que exigem uma profundidade de interpretação e compreensão do discurso de que se apropriam. Um concerto que ao fim nos banha com uma sensação de gratidão e satisfação. O Brasil estava bem representado.

Sexta feira 4 de outubro de 2013

Hoje era dia dos “hermanos”. Na abertura uma jovem argentina, Florencia Thomas, cuja potência de som era um contraste claro com suaFlorencia Thomas baixa estatura e sua delicadeza. Um repertório ousado e um som potente, bonito abriu com classe o concerto de Victor Villadangos. Este portou-se como um autêntico argentino. Tocava com uma facilidade e leveza que quase nos convencia de que tocar tango é fácil. Porém bastava prestar atenção na destreza de suas mãos que conduziam vozes como se tocasse dois – ou mais – violões em um que estava claro; Tocar tango é muito difícil! Ele apresentou um repertório majoritariamente argentino.

Victor Villadango

Sabado, 5 de outubro de 2013

Rafael RomaoAssim como o festival abrira espaço a jovens concertistas neste dia também abriu-se para um recital de alunos. Pode-se afirmar que o nível dos alunos deste festival estava muito bom. Há de se destacar que nosso amigo Rafael Romão fez presente, mais uma vez, o grande expoente da musica brasileira Heitor Villa Lobos com o Prelúdio numero 3, dedicado ao Grupo ViolãoBrasil e a nosso amigo violonista e compositor Fernando Rovetta.

Depois tivemos uma experiência interessante, um concerto com Sergio Moldavsky que nos presenteou com históriasSergio Moldavsky muito interessantes sobre as peças que tocara, contextualizando-as e nos permitindo uma sensação de intimidade com a música argentina. Sua sonoridade foi o que nos chamou atenção. Uma figura peculiar que nos fez lembrar a imagem de Segóvia em que com uma intimidade tremenda com seu instrumento nos leva a passear por épocas e regiões. Uma sonoridade gostosa de se ouvir, tocando com serenidade e esbanjando musicalidade. Fechou a noite com chave de ouro.

Domingo, 6 de outubro de 2013

É difícil descrever o ultimo concerto do festival. É difícil encontrar palavras, pois o silêncio que ficara ao final de cada musica era como um ato sagrado que, com delicadeza, tentava prolongar o máximo possível a sensação que ela causara. Até o ponto em que a sensação tornava-se uma explosão calorosa de aplausos de gratidão. Esta foi a marca deixada por Pedro Rodrigues no concerto de fechamento. Uma potência de som incomparável, fomentada por uma técnica refinada, interpretação madura, sensível e um timbre estupidamente belo. Tentar descrever mais seria arriscar quebrar o silêncio cristalizado com tanta generosidade.

Pedro Rodrigues2

Nossos concertos

Segunda Feira, 7 de outubro de 2013

O Grupo ViolãoBrasil tinha mais trabalho pela frente. O dia começou cedo. Um café da manhã reforçado, um tempo para acordar e preparar o psicológico e começamos a planejar o concerto. Uma passada breve nas músicas, uma reflexão sobre o roteiro. Estava tudo pronto, vamos escolher as cores das camisas que em breve o grupo estaria fazendo sua estreia argentina.

ViolãoBrasil no conservatório Astor PiazzollaAs 19:30 começava o primeiro concerto do Grupo ViolãoBrasil na Argentina. Conservatório Astor Piazzolla, Buenos Aires. O publico estava, visivelmente, ansioso por ver o que músicos brasileiros queriam defender de sua cultura. Seria muita prepotência de nossa parte descrever aqui como foi o concerto, deixaremos que esta incógnita paire no ar e inspire a nossos leitores a curiosidade de experimentar por si mesmo a experiência que temos a oferecer.

O Grupo ViolãoBrasil se preocupa em realizar um concerto que convide seu ouvinte a viajar numa musicalidade única. Ritmos, danças, aspectos culturais, a alegria e o sorriso brasileiro  sendo ora traduzido, ora regado pela música que desenha um povo nos ouvidos estrangeiros. Esperamos que assim o tenham experimentado aqueles que estiveram presentes e que possam, se animar, rir e se emocionar com uma musica que sai do nosso coração para atingir o coração de quem nos prestigia!

11 de Outubro de 2013

DSC02683

Não quero me repetir aqui. Mais uma vez o Grupo ViolãoBrasil entrara em Palco, desta vez na Escuela Superio Juan Pedro Esnaola. A casa estava cheia! E nesta sexta feira um pouco mais fria que os outros dias, o grupo se despedia da Argentina com um abraço musical caloroso.

Sentimos-nos em casa, especialmente, durante o concerto. Tocar o que toca sua alma. Com  tranquilidade, serenidade, alegria e com a verdadeira satisfação de dever cumprido deu um sabor de leveza e alegria ao concerto da nossa despedida da Argentina. Por enquanto.

Grupo ViolãoBrasil  na Escola Superior Juan Pedro Esnaola

Bagagem

Levamos muitas coisas de uma experiência como esta. A cada viagem, cada concerto, oficina, festival, ensaio que o grupo realiza cresce e amadurece algo que está alem das nossas capacidades de planejamento.

De uma viagem desta, poderíamos trazer muitas lembrancinhas, muitas fotos, histórias, etc. Mas o que realmente vale a pena que trazemos na bagagem são as amizades. Tivemos oportunidade de conhecer e conviver com pessoas excepcionais. Muita risada, muita mesmo, parcerias, companheirismo, aprendizado. Sinceros e profundos agradecimentos do Grupo ViolãoBrasil a Federico Nuñez que nos tratou com uma hospitalidade incrível. A Robinson Degregório por sua alegria, por seu entusiasmo e preocupação. A Pedro Rodrigues e Humberto Amorim, por sua amizade, por seus concertos maravilhosos. A Andrea  Zavaroni por sua perspectiva privilegiada evidente no trabalho de alto nível como fotógrafa. A Fernando Rovetta por sua companhia, amizade, hospitalidade, generosidade e pelo regalo. E a Fernando Silva e Rafael Romão por sua companhia, suas fotos, suas amizades e pelas risadas, é claro.

Hermanos!

Confira alguns vídeos dessa experiência na página do Grupo ViolãoBrasil

Em breve, novidades! Essa galera não pára!!!

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2 thoughts on “ViolãoBrasil na Argentina

  1. Quando li isso “uma musica que sai do nosso coração para atingir o coração de quem nos prestigia!”… Nossa! de fato me despertou a curiosidade de ouvi-los, mas dessa vez ouvindo a pulsação. Encantador… E que vocês possam sempre fazer realmente com o coração, que de fato, é o melhor argumento para convencer quem escuta de que vocês são bons! Parabéns e obrigada pela musica adorável!

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